A TV do Futuro é Grátis? A Revolução dos Canais FAST no Brasil
Taysson Bett
09 de novembro de 2025
O Fim da Lua de Mel com as Assinaturas
O domínio do streaming por assinatura (SVOD), liderado por gigantes como a Netflix, está sendo desafiado por um modelo que reinventa a TV tradicional para a era digital: a FAST (Free Ad-Supported Streaming Television), ou Televisão por Streaming Gratuita com Suporte de Anúncios.
O mercado de SVOD atingiu um ponto de saturação. A "fadiga de assinatura" se instalou à medida que os consumidores passaram a precisar de múltiplos serviços para acessar seu conteúdo favorito, elevando os custos mensais. Somado a isso, o "paradoxo da escolha" em catálogos imensos gera um esgotamento, com usuários gastando mais tempo procurando do que assistindo.
É nesse cenário que o FAST ganha força, oferecendo uma experiência "lean-back" (passiva), similar à da TV aberta: canais lineares, com curadoria e gratuitos, eliminando o atrito da decisão. Especialistas preveem que, em menos de cinco anos, o FAST se tornará o principal meio de consumo de televisão.
O que é FAST e Como Funciona?
Diferente do YouTube (AVOD), que oferece vídeos sob demanda, o FAST organiza o conteúdo em canais temáticos que operam 24/7, como um canal de TV convencional. Plataformas como Pluto TV, Samsung TV Plus e LG Channels oferecem centenas desses canais, dedicados a gêneros, séries clássicas ou notícias.
O modelo de negócio é sustentado por publicidade e se baseia no compartilhamento de receita entre as plataformas e os detentores de conteúdo. A grande inovação tecnológica é a Inserção Dinâmica de Anúncios (DAI), que permite exibir comerciais personalizados para cada espectador, combinando o alcance da TV com a precisão do marketing digital. Isso torna a publicidade no FAST extremamente valiosa para os anunciantes.
Uma Oportunidade para o Audiovisual Brasileiro
O Brasil é um mercado ideal para o FAST, graças à alta penetração de Smart TVs e à sensibilidade do consumidor aos custos de assinatura. O modelo surge como uma solução para um problema crítico do conteúdo nacional: a perda de espaço nas grandes plataformas globais.
Um estudo da Ancine revelou que a participação de obras brasileiras nos catálogos dos 5 maiores serviços de streaming caiu de 8,5% em 2023 para 7% em 2024. O FAST oferece uma alternativa de distribuição viável, permitindo a criação de canais de nicho dedicados exclusivamente à produção brasileira, desde clássicos do Cinema Novo a comédias populares.
Com o cinema nacional em um momento de forte recuperação de público e reconhecimento internacional, há um vasto acervo de qualidade para alimentar esses novos canais. O FAST tem o potencial de se tornar uma ferramenta vital para a soberania cultural, garantindo que as histórias brasileiras encontrem seu público no ambiente digital.
Conclusão: Um Futuro Híbrido
A ascensão do FAST não significa o fim das assinaturas, mas o início de uma era híbrida no consumo de mídia. Os espectadores combinarão serviços SVOD para grandes lançamentos com canais FAST para o consumo casual e a descoberta de nichos.
Nesse novo cenário, os fabricantes de Smart TVs, como Samsung e LG, tornam-se poderosos "gatekeepers" do entretenimento, controlando a distribuição e a monetização a partir da tela inicial de seus aparelhos. Para o Brasil, o FAST representa uma oportunidade de fortalecer seu ecossistema audiovisual, tornando-o mais plural, acessível e resiliente.
